Publicado em: 17/06/2026

Mesmo com pressão baixista observada pelas consultorias e recuo na B3, negócios no mercado físico do boi gordo mostram frigoríficos pagando até R$ 355/@ à vista em São Paulo, indicando que a oferta segue longe de sobrar.

O mercado do boi gordo iniciou a semana sob um cenário de maior pressão nas negociações, com frigoríficos tentando alongar escalas e testar preços mais baixos em importantes praças pecuárias do país. Apesar do movimento baixista apontado por consultorias que acompanham diariamente o setor, a realidade no mercado físico continua mostrando que a oferta de animais terminados segue ajustada em várias regiões.

Levantamento realizado pelo Compre Rural junto a frigoríficos da região de Bofete, no interior paulista, mostra que negócios já estão sendo fechados em R$ 355 por arroba com pagamento à vista, patamar acima de algumas referências médias divulgadas no mercado nesta terça-feira (16), reforçando que ainda existe forte disputa por animais prontos para abate em determinadas praças.

Mercado segue pressionado pelas incertezas envolvendo a China

Segundo análise da Safras & Mercado, as indústrias exportadoras seguem revisando suas estratégias de compra diante do avanço do esgotamento antecipado da cota de exportação da carne bovina brasileira para a China, fator que trouxe cautela adicional ao mercado.

O analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria, destaca que os frigoríficos habilitados para exportação ao mercado chinês já começam a trabalhar com maior seletividade nas aquisições.

Ao mesmo tempo, a demanda internacional continua sustentada por outro importante comprador.

“As exportações de carne bovina para os Estados Unidos permanecem aquecidas, com grande necessidade de compra por parte dos norte-americanos em 2026”, aponta Iglesias.

Agrifatto e Scot observam maior pressão nas negociações

Segundo levantamento divulgado pela Agrifatto, o chamado boi-China no interior de São Paulo registrou queda de R$ 10/@, passando para R$ 350/@ no prazo, igualando temporariamente o valor do boi comum sem padrão-exportação.

Das 17 praças monitoradas diariamente pela consultoria, pelo menos 10 registraram desvalorização nesta terça-feira, refletindo o movimento de cautela por parte das indústrias.

Já a Scot Consultoria observa um ambiente de maior incerteza na terceira semana de junho.

Mercado físico do boi gordo mostra realidade diferente em algumas regiões

Apesar do sentimento mais negativo vindo das bolsas e de parte das consultorias, o mercado físico segue demonstrando um cenário mais heterogêneo.

A apuração realizada pelo Compre Rural mostra frigoríficos ofertando R$ 355/@ com pagamento à vista em Bofete (SP), valor que supera boa parte das médias estaduais divulgadas no dia e evidencia que ainda existem indústrias buscando garantir escala diante da dificuldade em encontrar lotes prontos.

Esse comportamento reforça um ponto importante que o mercado vem observando nas últimas semanas: a oferta existe, mas continua bastante ajustada, principalmente em regiões estratégicas de São Paulo.

Confira as médias da arroba divulgadas nesta terça-feira

Segundo levantamento da Safras & Mercado, as médias nacionais ficaram em:

São Paulo: R$ 351,75/@

Goiás: R$ 328,39/@

Minas Gerais: R$ 326,47/@

Mato Grosso do Sul: R$ 342,61/@

Mato Grosso: R$ 348,04/@

Enquanto isso, no mercado futuro da B3, os contratos seguem pressionados.

O vencimento para julho de 2026 encerrou cotado a R$ 333,95/@, acumulando a terceira sessão consecutiva de baixa, reflexo direto das preocupações envolvendo o fluxo comercial com a China.

Mercado segue atento aos próximos movimentos

Mesmo com o ambiente mais cauteloso no curto prazo, o pecuarista continua acompanhando um mercado que permanece extremamente sensível a qualquer mudança nas exportações.

A combinação entre escalas relativamente confortáveis em alguns frigoríficos, incertezas sobre as cotas chinesas e uma oferta que segue controlada mantém o mercado dividido entre pressão baixista no papel e resistência no físico.

Por enquanto, negócios como os registrados em Bofete (SP) mostram que, em determinadas regiões, a indústria ainda precisa pagar mais para garantir boiada pronta.


Leia mais em: https://comprerural.com/boi-gordo-a-r-355-no-interior-paulista-segue-firme-mesmo-com-pressao-dos-frigorificos/













Boi gordo a R$ 355/@ no interior paulista segue firme, mesmo com pressão dos frigoríficos